• Joice Viana

"NADA ORTODOXA": QUE SEJAMOS ENTÃO!

Minissérie da Netflix, baseada em uma história real, mostra como é a vida de uma mulher que vive em uma comunidade judaica ortodoxa


A minissérie “Nada Ortodoxa”, lançada esse ano pela Netflix, conta a história de uma jovem judia de 19 anos, Esty Shapiro, que faz parte de uma comunidade judaica ultraortodoxa de Nova York, em que os ensinamentos da Torá e do Talmud são seguidos à risca, de forma rígida, tradicional e primitiva.


Baseada em uma história real, contada na autobiografia de Deborah Feldman, a minissérie mostra os costumes e regras da comunidade em que vive, em que a mulher exerce apenas o papel de dona de casa que precisa cuidar do marido e procriar filhos, sem direito ao estudo e proibidas até mesmo de ler a Torá e o Talmud, livros sagrados para os judeus, lido apenas por homens neste caso.


É importante esclarecer que nem toda a história contada na ficção é igual a biografia da qual a obra foi inspirada. Mas muitas partes da infância até o casamento da jovem Esty seguem a história real.


QUAL É O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE?


O intuito dessa postagem não é criticar a religião judaica e nem a comunidade ultraortodoxa retratada na minissérie, é mais uma provocação, para pensarmos qual é o papel da mulher na sociedade que vivemos hoje. Será que o mundo todo, todas as religiões, comunidades, etc., têm pensamentos tão diferentes com relação a isso? Será que já não é tempo de enxergarmos a mulher como um ser humano dotado de direitos iguais aos de qualquer homem?


Na minissérie “Nada Ortodoxa” as mulheres daquela comunidade não podiam estudar e nem trabalhar fora de casa, e não estamos falando dos anos 1950, se trata de uma história baseada na vida de uma mulher dos anos 2000. As mulheres não podiam usar calça jeans, usavam perucas e não podiam se maquiar, ou seja, não tinham a sua singularidade, eram obrigadas a ser umas iguais as outras.

Muitas outras regras e costumes da cultura judaica ortodoxa são abordadas na minissérie, mas a que mais me chamou a atenção foi o fato da dificuldade que a personagem principal tem de engravidar do marido. Toda a comunidade começa a gerar uma cobrança em cima disso, principalmente a família do homem, que se intromete na vida sexual do casal, pois o homem precisa ter a imagem, perante àquela comunidade, de que ele é “fodão” (me desculpe a palavra de baixo calão), mas e a mulher? Quais são os sentimentos dela, ninguém liga?


Assim como o racismo velado, o machismo também o é agora, já que o movimento feminino está com mais voz agora. É “feio” ter atitudes machistas agora, mas a mulher ainda sofre muito no mercado de trabalho, quando o seu salário não é igual ao de um homem que exerce a mesma função; em alguns países mulheres ainda precisam lutar para entrar em estádios de futebol (coisa de homem, né?!), para tirar a carta de motorista, para estudar... Que o diga a Malala, que quase morreu por lutar por um direito dela que lhe foi tirado.


Todo esse machismo velado ou mesmo descarado causa muita revolta em nós mulheres, mas também a depressão, ansiedade e outras doenças mentais. A depressão, por exemplo, atinge quase duas vezes mais as mulheres do que os homens, mas isso é assunto para uma próxima vez.

É importante parar e pensar como a nossa sociedade está agindo com as mulheres e como regras rígidas e proibições de direitos podam a alegria de viver de uma menina, uma jovem, uma mulher. A escritora, Deborah Feldman, assim como a personagem, conseguiu sair da comunidade judaica, mas e aquelas que ainda convivem com essas regras?


A comunidade que ela vivia chegou a fazer críticas através de artigos no jornal Huffington Post. Analisando esses artigos o jornalista, Jesse Kornbluth, concluiu que:

“Há alegações no livro que os Hasids (integrantes da comunidade em que a autora pertencia) contestam. Eu não posso dizer o que é verdade. Sem dúvidas muitas garotas em todo o Brooklin estão comprando esse livro, escondendo debaixo de seus colchões e lendo depois que as luzes se apagam – e contemplando, talvez pela primeira vez, sua própria fuga”

Respondendo a pergunta, o papel da mulher na sociedade é aquele que ela quiser!

Fontes: Saúde Abril; Wikipedia pt e en.

Fonte Imagens: Freepik; Instituto de Cinema

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